Candeia (Album, LP) capa, cover

Candeia (1970)

Primeiro álbum de estúdio de Candeia. Lançado em 1970 pela gravadora Equipe. A capa do traz um jogo com as palavras “autêntico”, “samba”, “original”, “melodia”, “Portela”, “Brasil” e “poesia”, que formam o nome do sambista.

“Dia de graça” (Candeia)

Rua Albano, 58, Jacarepaguá.

A gente chega, tá chegando, vai se envolvendo naquela atmosfera que uma roda-de-samba possui.

E entre um limão e outro vamos ouvindo de “mestre” Candeia suas composições, adquirindo aquela sombra musical que vai nos acompanhar por longos tempos. Porque o que êste homem cria tem a facilidade de permanecer conosco, não só por ser algo de muito bacana musicalmente, mas também pelo alto valor poético de suas letras.

A história de minha admiração pelas suas composições teve seu princípio em um ensaio da Portela. Lembro-me da quadra de ensaios cheia, passistas e pastoras cantavam empolgados um samba que em certa parte dizia:

“mas repercutiu profundamente; em meu subconsciente; pois não podia ficar assim.”

“subconsciente”, vejam vocês!

Aquilo soara diferente como letra, e mais bonito ainda, conjugada com a melodia. A pergunta se impunha: de quem é esse samba?

De Candeia e Casquinha disseram.

Daí pra frente vi sempre o nome de Candeia, ás vezes ligado, ás vezes isolado de outros compositores, em músicas, tôdas, sem favor nenhum, muito legais e fiquei sabendo mais: autor de nada mais nada menos que 6 sambas-enrêdo que a Portela levou para avenida, enquanto colecionava títulos, sobretítulos. Tivera em Elizeth a porta-voz de “Minhas Madrugadas”, esta com parceria de Paulinho da Viola.

Através de seus “pagodes” criou-se nossa amizade, com a minha sempre crescente admiração pela sua obra. Vi feliz que as minhas impressões eram perfeitamente identificadas com todos os que tomavam conhecimento da bagagem musical deste sambista.

A prova maior da intensa comunicação que êle exerce se deu no último “Festival Fluminense da Canção”, onde “A Flor e o Samba”, defendida pelo “compadre” Martinho da Vila, alcançou o 2° lugar num resultado que não agradou ao público presente que a elegeu sua favorita. Pois bem, aí esta para provar não só a todos os seguidores da nossa arte popular, mas também para os apreciadores da boa música, que o samba se mantém vivo, bem vivo, e tendo agora um dos seus momentos mais brilhantes.

E nisto tudo um último pedido:

Luz, muita luz, que aí vem Candeia.

Harll
6/3/70
contracapa


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/info

Candeia (LP Equipe, EQ865, 1970)

Candeia (Album, LP) capa, cover
capa Joselito

Lado A – “Dia de graça”; “O pagode”; “Prece ao sol”; “Samba da antiga”; “Sorriso antigo”; “A volta”.

Lado B – “Viver”; “Paixão segundo eu”; “Outro recado”; “Chorei, chorei”; “Coisas banais”; “Ilusão perdida”.

Todas as faixas com autoria de Antônio Candeia Filho, sendo: “Sorriso antigo” com Aldecy, “Outro recado” e “Ilusão perdida” com Otto Enrique Trepte (Casquinha) e “Coisas banais” com Paulo Cesar Baptista de Faria (Paulinho da Viola).


Oswaldo Cadaxo (realização), Norival reis e Alberto Soluri (acessoria técnica), Ary Perdigão (master), Joselito (capa), Estudio Tema/Continental, Isa, Yara, terezinha e Deoclecia (pastoras), Jorge e William (violões), Osmar (cavaquinho), Marçal, Geraldo, Raul Maques, Elizeu, Claudio, Edgard e Pedro (ritmo), no trombone só podia ser o Raulzinho.

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Marcelo Oliveira
Marcelo Oliveira

Sou carioca, mangueirense e botafoguense. Meu objetivo com o blog é preservar a memória do SAMBA!

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