Nelson Sargento (Album, LP) capa, cover

Nelson Sargento, Encanto da paisagem

Encanto da paisagem. Álbum (com magníficas criações) gravado no Japão pelo produtor Katsuo Tanaka e no Brasil o disco saiu pelo selo Kuarup em 1986.

“Encanto da paisagem” (Nelson Sargento)

Este disco é o produto de um caso de amor entre um jovem japonês, Katsunori Tanaka, e a música popular brasileira. Tanaka não é um japonês investidor, em busca de reprodução de capital. É um trabalhador comum, que resolveu aplicar a sua poupança num tipo de música brasileira que as nossas, gravadoras não querem gravar.

Nelson Sargento chama-se, no registro civil, Nelson Mattos (ele faz questão dos dois t). Seu apelido surgiu do tempo em que era sargento do Exército, quando era identificado de duas maneiras: no quartel, era o Sargento Nelson: na Mangueira, o Nelson Sargento.

Mas não é sobre o apelido de Nelson que desejo falar. Quero, na verdade, é chamar a atenção para um homem que absorve como poucos outros o qualificativo de artista. Nelson é um artista, pronto e acabado. É um poeta, um cronista, um humorista, um pintor (de quadros e de parede) e um Nelson Sargento admirável. Tem o talento e a emoção do artista. Um homem do povo, que enfrenta todas as graves dificuldades que desabem sobre o trabalhador brasileiro mas que nunca abriu mão de sua condição de artista. Ele cria sua obra, vai para o batente para sustentar a família e ainda pensa na obra de quem o influenciou. Canta as músicas do padrasto. O velho Alfredo Português, homenageia Cartola com um samba e escreve um livro sobre Geraldo Pereira (edições Funarte). Coisa de artista.

Aqui está Nelson Sargento, acompanhado por vários amigos, músicos, “Nelson Sargentões” e cantores, apresentando músicas que expressam maravilhosamente a criatividade do sambista. Razão pela qual chamo a atenção do ouvinte para o fato de que adquiriu mais do que um disco. Aqui está um documento de importância histórica: é a obra de um artista, de um grande artista do povo e que a gente conhece pelo nome de Nelson Sargento.

O caso de amor de Tanaka é exatamente com essa música bonita, expressiva, forte, verdadeira e que os donos do consumo não prestigiam por considerá-la não comercial. Também sou apaixonado por essa música, mas isso não é nada demais, porque sou daqui. Razão pela qual homenageio o amigo do outro lado do mundo, a quem manifesto a minha gratidão e a quem louvo pela coragem e pelo bom gosto.

SÉRGIO CABRAL
contracapa


/info

Encanto da paisagem (LP Kuarup Discos, KLP-025, 1986)

capa: Janine Houard | pintura: Nelson Sargento | foto: Paulo Ricardo

Lado A – “Encanto da paisagem” — ouça ♫ ; “Homenagem ao Mestre Cartola” — ouça ♫ ; “Vim lhe pedir” — ouça ♫ ; “Vai dizer a ela” — ouça ♫ ; “De boteco em boteco” — ouça ♫ ; “Idioma esquisito” — ouça ♫ .

Lado B – “Só voltarei” — ouça ♫ ; “Mar de lágrimas” — ouça ♫ ; “Prometo ser fiel” — ouça ♫ ; “A felicidade se foi” — ouça ♫ ; “Amante vadio” — ouça ♫ ; “Agoniza mas não morre” — ouça ♫ .

Todas as faixas de auitoria de Nelson sargento sendo “Vim lhe pedir” com Cartola e “Amante vadio” com Zé Luiz. Participação especial de Beth Carvalho (gentilmente cedida pela RCA) na faixa “Agoniza mas não morre” e de Claudia Savaget – voz – em “A felicidade se foi”.


Kuarup Produções LTDA e Katsunori Tanaka (produtor fonográfico), K. Tanaka, Beto Cazes e Henrique Cazes (projeto artístico), Henrique Cazes (produção artística), Beto Cazes (produção executiva), Henrique Cazes e Luiz Otávio Braga (fx. 1b) (arranjos e regências), Gravado em junho de 1986, no Estúdio HARA, Rio de Janeiro, Marcelo Saboya (técnico), Márcio, Eduardo e Marcelinho (auxiliares), mixado em PCM-Digital, nos Estúdios EMI-ODEON, RJ, Toninho Marrom (técnico), Henrique e Beto Cazes (assistente de mixagem), José Oswaldo Martins (corte do acetado), Mario de Aratanha (supervisão), capa: Janine Houard (criação e produção gráfica), Nelson Sargento (pintura), Paulo Ricardo (foto), Lídia Lopes (montagem).

Rafael Rabello (violão de 7 cordas), Luiz Otávio Braga (violão), Henrique Cazes (cavaquinho), Nelsinho (trombone), Paulo Sérgio Santos (clarinete), Dazinho (flauta, sax-alto e assobio), percussão: Beto Cazes (pandeiro, ganzá, repique de mão, tamborim, garrafa de cerveja com abridor, coco, tan-tan e surdo), Marçal (cuíca e tamborim), Élton Medeiros (caixa-de-fósforo e tamborim), Gordinho (surdo), Marcos Suzano (frigideira, agogô e tamborim), Oscar Bolão (pandeiro, caixa e agogô).

coro (“Idioma esquisito”) Paulo, Marlene, Wilson, Servula, Henrique, Isabela, Marquinhos, Beto, Nelson Sargento, Leo e Marcos Paiva, coro (“Amante vadio”) Dinorah, Nara, Eurídice, Henrique Cazes, Dalmo Medeiros e Nelson Sargento, coro (“Agoniza mas não morre”) Bee, Beth Carvalho, Beto Cazes, Cláudio Jorge, Cristina, Delcio Carvalho, Elton Medeiros, Henrique Cazes, Jair do Cavaquinho, Marcos Suzano, Mauro Duarte, Nelson Sargento, Paulão, Servula, Tanaka, Vivinha, Wilson Moreira, Zé Luiz e a Velha Guarda da Portela (Monarco, Chico Santana, Manacéa, Argemiro, Casquinha, Alberto Lonato, Osmar do Cavaco, Chatim, Doca, Eunice e Surica).

Agradecimentos especiais a NILO SÉRGIO FILHO e SERGIO CABRAL pela força, e a rapaziada que participou do coro em “Agoniza mas não morre” e “Idioma esquisito”.

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Marcelo Oliveira
Marcelo Oliveira

Sou carioca, mangueirense e botafoguense. Meu objetivo com o blog é preservar a memória do SAMBA!

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